Por Blog Pausa Pro Café
Marco Aurélio Canônico é jornalista formado pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e trabalha no Caderno Ilustrada, do Jornal Folha de São Paulo desde 2005. Foi correspondente da Folha em Londres, entre 2006 e 2007, e hoje além de escrever para o jornal, Canônico é um dos responsáveis pelo Blog Ilustrada no Pop.
Na entrevista, Canônico conta sua trajetória profissional no jornalismo e revela detalhes de como é para um repórter trabalhar também como um jornalista blogueiro.
Confira na íntegra o bate-papo com Marco Aurélio Canônico.
PAUSA PRO CAFÉ: Primeiramente, temos alguns dados básicos. Você poderia contar um pouco mais da sua formação e experiência na área jornalística?
MARCO AURÉLIO CANÔNICO: Me formei em jornalismo pela UERJ, fiz o Curso Abril de Jornalismo em 2004, na seqüência fiz o Programa de Treinamento em Jornalismo da Folha de S. Paulo e estou no jornal desde então.
PPC: Como você teve a chance do trabalho de correspondente?
MAC: A Folha tem um programa de correspondentes rotativo: a cada dez meses, o jornal troca seus correspondentes em Nova York, Buenos Aires e Genebra (cidade que substituiu Londres, onde fui o último correspondente); o processo de seleção é interno, aberto a todos os jornalistas da Folha em início de carreira – geralmente com dois, três anos de jornal. Os candidatos se inscrevem, submetem seus currículos, matérias publicadas e passam por uma prova de língua e por uma entrevista com a banca. Ao fim do processo, é escolhido o novo correspondente. Eu passei por esse processo para ir a Londres. Minha experiência por lá foi sensacional, tanto em termos pessoais quanto profissionais.
PPC: Quando você começou como jornalista blogueiro? E por que escolheu como tema, falar sobre música e cultura?
MAC: Foi no fim do ano passado. O Blog Ilustrada no Pop foi uma idéia do Thiago Ney, que escreve comigo na Ilustrada e que me convidou para participar. A escolha dos temas foi óbvia: falaríamos sobre as coisas que cobrimos na Ilustrada, o blog seria uma extensão do nosso trabalho no jornal.
PPC: Quais as principais dificuldades de trabalhar com Blogs?
MAC: Existem diferentes tipos de trabalho em blogs; no caso do Ilustrada no Pop, não vejo maiores dificuldades; talvez a coisa mais "difícil", mas nada que chegue a ser estressante, é a necessidade de encontrar coisas interessantes para postar com certa regularidade – não dá para abandonar o blog por uma semana (nem por três dias, na verdade) sem postar nada. De qualquer modo, como somos jornalistas de um impresso diário e vivemos correndo atrás de notícia por conta disso, já é parte do nosso cotidiano.
PPC: Você acha que outras áreas do jornalismo vêem com alguma diferença essa área?
MAC: Há diferenças entre jornalismo impresso e jornalismo na internet, ou seja, é natural que "outras áreas do jornalismo" vejam "alguma diferença" nos blogs (assim como na TV e no rádio).
PPC: Críticas são bem vindas. Mas como lidar com elas quando passam a atacar também o lado pessoal?
MAC: Não lidamos com ataques pessoais, assim como não fazemos ataques pessoais. Quando, muito raramente, alguma crítica não diz respeito ao trabalho, ignoramos.
PPC: Em relação as pessoas mais famosas, já aconteceu de promover uma entrevista e na hora a pessoa julgar menos importante por ser para um Blog?
MAC: Não sou o melhor blogueiro para falar sobre isso, já que minha ocupação principal é a de repórter da Folha de S. Paulo, um veículo impresso que tem bastante reconhecimento no país – ou seja, as pessoas que dão entrevistas para nós sabem que estão falando com a Folha, o jornal, mesmo que, ocasionalmente (e isso não é freqüente), a entrevista seja exclusivamente para ser publicada no blog. Isso altera completamente essa noção de "importância" que a pergunta busca decifrar.
PPC: O que você prevê para o futuro dos jornalistas blogueiros? Acha que a área vai crescer ou diminuir?
MAC: Não gosto de fazer previsões, mas de qualquer modo, os dados mostram que a internet e os blogs estão em expansão e não deve parar tão cedo, até porque o acesso a ela no país ainda é razoavelmente limitado, se considerarmos a população total.